Por Robson de Andrade NevesÉ muito difícil entender a vida quando nos sentimos vazios ao acordar indisposto e desanimado para desenvolver as atividades mais comuns do dia a dia; igualmente diante da sucumbência daquele problema que parece ser tão maior do que nossas forças; ver a vida com bons olhos e evitar que o pessimismo e o ceticismo corroa nossa autoestima se torna muitas vezes ato impossível.
Encontrar respostas não é
simples, quer seja para aqueles que se inclinam para alguma fé ou não. Para boa
parte da humanidade as respostas estão no céu, pelos seus encantos, seu brilho,
suas cores, finalidades e acomodações apregoadas.
Não obstante aos encantos do céu,
suas formas de entrada variam de religião para religião, mas o que está
implícito em todas elas é a necessidade que o ser humano possui de acreditar em
uma força infinitamente mais poderosa do que ele e que acaba por colocá-lo a
mercê de suas ideologias, muitas vezes escusas e que nada irá cooperar ao
verdadeiro desenvolvimento espiritual.
Em nome das ideologias, dogmas e
heresias muitas vezes não conferidas pelos fieis no livro da vida, desde tempos
remotos, a civilização assistiu à realização das mais diversas tragédias
humanas com perseguições religiosas ocasionadas pela intolerância religiosa.
Um exemplo interessante foi dado
por Voltaire em “Tratado acerca da tolerância” ele discorre sobre a importância
da tolerância como objetivo de se evitar tragédias religiosas ocasionadas pela
comoção pública e fanatismo religioso, historia essa que foi brilhantemente
narrada a partir de seu primeiro capitulo que fala de um homem bom, de nome
Jean Calas, de 68 anos, negociante há mais de 40 anos na cidade de Toulousse,
fato ocorrido em 09 de março de 1762.
Jean Calas foi sentenciado a
expirar ao suplício da roda pela suspeita de ter enforcado seu filho,
Marc-Antoine, por ter se convertido ao catolicismo, em processo arbitrário e
injusto os magistrados o condenaram tendo como única fundamentação a comoção de
uma sociedade intolerante e fanática.
Então, será mesmo que as
respostas e a boa vida estão no fato de ser um intitulado religioso ou aderente
de uma determinada religião? Será que a religião realmente conduz o fiel ao céu? Será que a
oração de um religioso é ouvida pelo Divino? Ou será que o religioso consegue
converter uma “alma perdida”? Vejamos.
O iluminismo tem grande culpa na
atual compreensão do cristianismo, isso
porque, grandes pensadores filósofos da época entenderam que a moral cristã era boa de
ser adotada como prática de vida, não obstante os incansáveis estudos para racionalizar e afastar a fé.
Este movimento surgiu na França
do século XVII e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que
dominava a Europa desde a Idade Média, pois, segundo os filósofos iluministas,
esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se
encontrava a sociedade que utilizava a fé como meio de crença no impossível.
Segundo aqueles pensadores, o
pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças
religiosas e o misticismo (fé), que, segundo eles, bloqueavam a evolução do
homem, que deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões
que, até então, eram justificadas somente pela fé.
O apogeu deste movimento foi
atingido no século XVIII, e, este, passou a ser conhecido como o Século das
Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França, onde influenciou a Revolução
Francesa através de seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve
influência em outros movimentos sociais como na independência das colônias
inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil.
Veja, portanto, que o iluminismo ainda tem influenciado fortemente nas religiões atualmente. Muitas delas no lugar da fé procuram
dar ensinamentos profundos da bíblia, com respostas baseadas nas mais diversas
exegeses textuais, sem, no entanto, levar os fiéis a verdadeira pratica da
fé; outras procuram agradar os fiéis com palavras doces e brandas com receio de perder
posições em suas igrejas; outras exploram os clubes sociais das igrejas para exaltar o sentimento de amor e união nos corações dos irmãos; outras exaltam os grupos de louvor em cantorias bonitas mas baseados puramente no sentimento enganoso de bem estar com o Divino, enfim, difícil mesmo é
encontrar aquela igreja que reúne todas as ordenanças de Jesus, que manda aos
discípulos pregar o evangelho, sem, no entanto, negligenciar a fé, que é a única forma de agradar a Deus (Hebreus 11).
Um verdadeiro cristão é aquele
que não levanta nenhuma bandeira religiosa, mas pratica a verdadeira fé, conforme ensina Jesus "Meus irmãos, que proveito há se alguém disser que tem fé, mas não tem tem obras?" "Poderá semelhante fé salvá-lo?" (Tiago 2:14), veja que o relacionamento com o Divino é muito maior que apenas frequentar uma determinada religião, a tolerância sempre prevalece junto aos irmãos aderentes de
outras crenças, sendo que o investimento e energia de convencimento não estão nos lábios ou nas letras frias, mas na demonstração das obras resultantes de uma crença branda, eficaz e saudável,
conforme ensina o Prof. Pierre Bourdieu "os circuitos de consagração
social serão tanto mais eficazes quanto maior a distancia social do objeto
consagrado".
O circuito utilizado de
consagração social significa o “muito falar, sem, no entanto mostrar” que não
será eficaz quanto à capacidade de convencimento da demonstração das obras
provenientes da fé que é o objeto consagrado.
A discussão sobre a pratica atual
da fé, conforme os antigos, é complexa e cheio de resquícios históricos proveniente do
iluminismo que acabou distanciando os crentes das indagações racionais sobre a inteligência
da palavra divina. Fato é que, se partirmos do pressuposto da existência do
Divino, não é difícil constatar que a comunicação de muitos religiosos com os
céus parece não surtir muito efeito até o momento. Desesperam-se, ainda mais, com a insatisfação tomada de assalto quando se pensam estar imunes as coisas da vida que continuam os afetando, somado ao sentimento desconfortável que se perpetua na superfície terrena. Portanto, é inconcebível, continuar elevando a mente ao alto, sem no entanto, afastar do seu íntimo a adoração escondida do brilho mundano e seus pés do chão sujo que tanto os prejudicam.
Os principais filósofos do
Iluminismo foram: John Locke (1632-1704), ele acreditava que o homem adquiria
conhecimento com o passar do tempo através do empirismo; Voltaire (1694-1778),
ele defendia a liberdade de pensamento e não poupava crítica a intolerância
religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), ele defendia a ideia de um estado
democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu (1689-1755), ele
defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário;
Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d´Alembert (1717-1783), juntos
organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos
da época.
Principais filósofos iluministas
Nenhum comentário:
Postar um comentário